Biolokos

Em Outubro de 2001 um grupo de "crianças" do secundário foi praxado na FCUL. Em Janeiro de 2005 surge o Blogspot desta geração de Biólogos que, certamente, conquistará o mundo. Este é o nosso diário.

janeiro 25, 2005

Os barbudos

O post sobre o sr. Humberto fez-me lembrar que existem várias personagens na faculdade que merecem ter um lugar no nosso blog. A seguir lembrei-me que só nos falta um semestre para nos irmos todos embora e que todas essas pessoas vão lá continuar a trabalhar e a faculdade, por incrível que pareça, vai continuar a existir. Isso trouxe-me uma grande melancolia e saudades por antecipação. Por isso acho que é uma boa ideia continuar a postar sobre coisas e pessoas que nos marcaram durante estes quatro anos.
Vou falar-vos de dois barbudos por quem tenho um profundo e sincero apreço. O primeiro é o sr. Pica. Amigo inseparável do Sr. Humberto, com o qual todos os dias toma café, às dez em ponto (ah pois é, já os apanhei várias vezes no bar do C1), o Sr. Pica é uma figura carismática. É o único macho naquele antro de mulheredo que é a secretaria do DBV. E que bem que ele se impõe e demonstra a sua masculinidade quando alguém lhe pede para carregar a fotocopiadora, na ausência do sr. Humberto, e ele responde em voz sumida: "não posso, desculpe", não sem antes corar até aos cabelos e enfiar-se na "casinha", onde tem a secretária, que o protege de contactos directos com a Saramaga. Pois é, o Sr. Pica cativou a minha simpatia. Sempre gostei de homens ruivos e tímidos.
O outro Sr. que hoje vos trago é uma pessoa inigmática para todos. É o Barbudo das Barbas, como alguém sabiamente o chamou ao vê-lo passar na biblioteca, de mãos atrás das costas. De certeza que sabem quem é. Toda a gente o vê, pelos corredores do DBA, por vezes nos do DBV e, em dias de grande audácia, a cirandar pela biblioteca. Anda sempre de camisa e calças de fazenda, mãos atrás das costas, com um ar de homem eficiente e sério. Parece que está sempre aterefado com alguma coisa de extrema importância para o bom funcionamento da faculdade. A seriedade é de tal ordem que já estive quase para me dirigir a ele, travar a sua jornada laboral, para lhe agradecer a horas de trabalho árduo que nos dedica por dia. Mas antes disso lembrei-me de perguntar a alguém o que é que ele fazia na faculdade. "Não sei" foi a resposta obtida. Muitas vezes perguntei e muitas vezes a resposta se repetiu. Seria possível que ninguém naquela faculdade sabia o que fazia o homem? Foi então que a resposta me entrou pela sala adentro, no dia em que o próprio interrompeu uma aula prática para perguntar se a "Sra. Professora precisava de alguma coisa". Foi incrível o que se seguiu porque eu nunca tinha visto a prof., uma senhora calma e serena, a irritar-se de tal forma que lhe gritou : "não, nada! Não volte a interromper!". Ficámos parvos. Eu estava confusa. Nessa altura a seriedade e as calças de fazenda ainda me faziam crer que o homem era professor ou quiçá o chefe da secretaria de DBA. Fiquei então a saber que o Barbudo das Barbas não tinha um cargo definido na faculdade.É casado com uma senhora que trabalha na faculdade e arranjaram-lhe aquele lugar. Parece que faz coisas, o que quer isso seja. Isso dá-lhe tempo para se passear pelos corredores. Talvez esteja a farejar "coisas" para fazer. Talvez tenha farejado alguma coisa naquela sala onde eu estava a ter aula e tenha sido uma injustiça o modo como foi tratado. Talvez o sr. só queira trabalhar. Tenho que dizer isto à Sónia porque talvez ela o tenha impedido de o fazer quando gritou com ele no dia em que nos veio dizer que não podíamos utilizar os computadores do DBA, pertencendo ao DBV. Se calhar não o deixam trabalhar....

1 Comments:

At 5:52 da tarde, Blogger grao_de_po said...

ah, o mítico sombra...

 

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